
Mamonas Assassinas
- Formato
- CD
- Ano de lançamento
- 1995
- Gênero(s)
- Rock
- Subgênero(s)
- Pop Rock
Sobre o artista/álbum
Lançado em 23 de junho de 1995 pela gravadora EMI-Odeon, o álbum homônimo de estreia do Mamonas Assassinas tornou-se um dos maiores fenômenos comerciais e culturais da história da música brasileira. Misturando rock pesado, punk, forró, brega, vira português, pagode e humor satírico, o disco vendeu mais de 1,8 milhão de cópias em menos de um ano e redefiniu o pop rock nacional dos anos 1990.
Antes da explosão nacional, o quinteto de Guarulhos (SP) tentava a sorte sob o nome Banda Utopia, com um repertório sério de pop rock e rock progressivo. Após anos de pouca repercussão e shows com público reduzido, os integrantes começaram a compor paródias e brincadeiras nos ensaios e intervalos.
A virada de chave aconteceu quando o vocalista Dinho gravou despretensiosamente faixas cômicas no estúdio do produtor Rick Bonadio para tocar em um churrasco. Ao perceber o potencial daquele deboche misturado a arranjos instrumentais de alto nível técnico, Bonadio sugeriu que a banda assumisse de vez o formato bem-humorado com peso de rock. Nascia ali o Mamonas Assassinas, que rapidamente chamou a atenção da EMI.
• Formação da Banda:
- Dinho (Alecsander Alves): Voz principal e performances teatrais.
- Bento Hinoto: Guitarras, violões e backing vocals (destaque para a precisão técnica nos solos de heavy metal e linhas acústicas).
- Júlio Rasec: Teclados, arranjos e backing vocals.
- Samuel Reoli: Baixo e vocais de apoio.
- Sérgio Reoli: Bateria e vocais de apoio.
O álbum foi produzido e gravado por Rick Bonadio (apelidado carinhosamente pela banda como Creuzebek) no Estúdio Bonadio, em São Paulo. A mixagem foi realizada no tradicional estúdio The Enterprise, em Los Angeles (EUA).
O álbum contou com participações especiais, como o sambista Leandro Lehart (Art Popular) no cavaquinho e César do Acordeom.
Grande parte das letras e esquetes foi composta e improvisada na hora, enquanto os instrumentos de base eram gravados na sala ao lado.
Aberturas e ruídos acidentais viraram parte definitiva do álbum, como as piadas no início de "Jumento Celestino" e as intervenções cômicas em diálogo com Bonadio no console de gravação.
O repertório do álbum é repleto de colagens de estilos e referências diretas a clássicos do rock e da música popular:
- "Pelados em Santos": O maior clássico da banda, fundindo brega romântico, guitarras distorcidas e o icônico verso sobre a Brasília Amarela.
- "Vira-Vira": Paródia do folclore musical português (vira), inspirada no estilo de Roberto Leal, repleta de trocadilhos de duplo sentido.
- "Robocop Gay": Sátira pop/rock que se tornou hino de programas de auditório e rádios em todo o país.
- "Chopis Centis": Paródia direta do clássico riff de "Should I Stay or Should I Go" do The Clash, sob a perspectiva de um operário da construção civil visitando o shopping.
- "Mundo Animal": Mistura de forró com hardcore, citando comportamento bicho e hábitos humanos com humor surreal.
- "Bois Don't Cry": Brincadeira com o título de "Boys Don't Cry" (The Cure), transformando o pós-punk em brega de dor de cotovelo com solos de guitarra pesados.
- "Débil Metal": Uma exibição técnica feroz de thrash metal (influenciada por Sepultura e Megadeth) com vocal gutural berrando frases sem sentido.
- "1406": Crítica irreverente ao consumismo e comerciais de TV (como o famoso televendas do Grupo Imagem).
Embora setores mais conservadores da crítica tenham inicialmente visto o grupo com certo ceticismo, o álbum foi amplamente elogiado pela versatilidade dos músicos, pela capacidade de transitar com maestria entre gêneros musicais tão díspares e pela produção enxuta e potente de Bonadio.
Apesar das piadas de duplo sentido e palavrões, o grupo conquistou crianças, jovens e adultos, tornando-se presença diária e recordista de audiência em programas como Domingo Legal (Gugu Liberato) e Domingão do Faustão.
A trajetória do grupo foi tragicamente interrompida em 2 de março de 1996, quando o jato executivo em que viajavam colidiu contra a Serra da Cantareira (SP), vitimando todos os integrantes e a tripulação. O choque nacional consagrou a banda no imaginário popular brasileiro.
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📼Vídeocliple de "Pelados em Santos"
📼Robocop Gay (ao vivo) 📼Show dos Mamonas Assassinas no Espaço Emes, em Aracaju/SE, Dezembro de 1995
🎧 Artistas e discos similares
Baseado em afinidade estilística (fusão de rock, humor, sátira cultural e apelo popular):
• Raimundos – Raimundos (1994): Pioneiros na fusão de hardcore/punk rock enérgico com forró e letras bem-humoradas de duplo sentido.
• Ultraje a Rigor – Nós Vamos Invadir Sua Praia (1985): Um dos maiores marcos do rock nacional focado em sátira comportamental, ironia e guitarras pop/rock contagiantes.
• Pedra Letícia – Pedra Letícia (2008): Pop rock moderno focado em crônicas cômicas, trocadilhos e paródias de costumes.
• Massacration – Gates of Metal Fried Chicken of Death (2005): Paródia aos clichês do heavy metal com alto nível técnico de execução instrumental.
• Velhas Virgens – Com a Corda Toda (1995): Rock and roll e blues com letras escrachadas, boêmias e satíricas.
• Língua de Trapo – Língua de Trapo (1982): Um dos precursores da vanguarda paulistana na união de MPB, rock e humor debochado.
• Virgulóides – Virgulóides (1996): Contemporâneos dos anos 90 que fundiam ska-punk, rock e samba com veia humorística (autores de "Bagulho no Bumba").
• Falcão – A Boniteza dos Homossexuais (1994): O ícone do brega-rock nonsense brasileiro, mestre na rima absurda e na estética visual kitsch.
Baba Cósmica – Goró (1996): Power pop/punk rock noventista com letras jovens e bem-humoradas (autores originais de "Sábado de Sol", regravada pelos Mamonas).
• Ultraje a Rigor – Nós Vamos Invadir Sua Praia (1985): Referência seminal no uso de trocadilhos, humor sarcástico e crítica comportamental embalados pelo pop rock.
• "Weird Al" Yankovic – Bad Hair Day (1996): O maior expoente mundial da paródia musical e comedy rock, lançado na mesma safra dos anos 90.
• Bloodhound Gang – One Fierce Beer Coaster (1996): Referência internacional na fusão de punk/alt-rock com humor irreverente e colagens de estilos pop.
Faixas
- 1. 1406
- 2. Vira-Vira
- 3. Pelados Em Santos
- 4. Chopis Centis
- 5. Jumento Celestino
- 6. Sabão Crá-Crá (The Mad Ku-Ku)
- 7. Uma Arlinda Mulher
- 8. Cabeça de Bagre II (Baby Elephant Walk - Música Incidental)
- 9. Mundo Animal
- 10. Robocop Gay
- 11. Bois Don’t Cry
- 12. Débil Mental
- 13. Sábado De Sol
- 14. Lá Vem O Alemão